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01-05-2009
Dolce Vita reforça oferta de lazer nos centros comerciais

Com nove centros comerciais abertos em Portugal e mais três em Espanha, a Chamartín inaugura o maior centro comercial da Península Ibérica no dia 7 deste mês, o Dolce Vita Tejo. Uma estrutura que custou 300 milhões de euros. Artur Soutinho, o administrador executivo da Chamartín para a área de retail, avança quais os trunfos do Doce Vita Tejo para rentabilizar este investimento e contrariar a actual apatia do mercado. 
 
- Abrir o maior centro comercial ibérico numa altura em que a confiança dos consumidores está em quebra é uma operação do risco redobrado? 
 
- Este projecto arrancou há quatro anos e é um projecto a longo prazo. A situação económica vai mudar e entrar num novo ciclo. Não acreditamos que os próximos dez anos sejam iguais a 2009. Não há diferenças substanciais relativamente ao nosso plano de investimento. Houve alguns ajustamentos. Mantemos as previsões de retorno do investimento (300 milhões de euros) para daqui a 15 anos. Por outro lado, esta crise obrigou-nos a rever algumas situações e a ter mais trabalho para concretizar os negócios. 
 
- Isso significa que tiveram que baixar os preços de aluguer dos espaços? Abrem com todas as lojas comercializadas? 
 
- Este é um centro de última geração, completamente diferente do que estamos habituados, o que é muito apelativo para as marcas. Não fizemos saldos. Actualmente temos 97% dos espaços comercializados. Algumas marcas estreiam-se para o mercado português no Dolce Vita Tejo, como é o caso da Primark, uma marca irlandesa de pronto-a-vestir de preços reduzidos. Está a ter um sucesso tremendo no Dolce Vita Corunha e acreditamos que também terá em Lisboa. Será uma das maiores lojas. 
 
- Em que difere este centro comercial dos restantes? Quais são os trunfos do Dolce Vita Tejo para conquistar clientes num mercado já algo saturado de centros comerciais em Lisboa?
 
 
- Este centro está localizado na Grande Lisboa e tem uma dimensão supraregional. A nossa área de influência ultrapassa os limites da Amadora. Estão previstos entre 17 ou 18 milhões de visitantes anuais. 
 
As opções em termos comerciais são sempre maiores em Lisboa. Os acessos para o centro são excelentes e em breve estará pronta a via rápida que ligará Benfica (Estádio da Luz) ao Dolce Vita. É importante que haja bons eixos rodoviários de ligação, bem como transportes públicos. Estarão operacionais sete percursos que ligam o centro a várias regiões de Lisboa. Está igualmente previsto o Metro de superfície (desconhece-se ainda para quando), uma obra em quesomos parceiros da Câmara Municipal da Amadora. Uma das paragens do Metro será precisamente na praça central do Dolce Vita Tejo. Uma praça central absolutamente inovadora, que deve ser provavelmente a maior praça coberta do país. Liga a zona de grandes retalhistas à zona de shopping e ê coberta por um material transparente que permite controlar a temperatura e a passagem da luz solar, o que se reflectirá na redução de custos de energia. 
 
O Dolce Vita Tejo é um shopping de grandes dimensões, o maior na Península Ibérica. Já há outros centros comerciais grandes, mas são mais grandes galerias. Este propõe um novo conceito ao nível da arquitectura, mais sustentável. Foi pensado para facilitar a orientação, de modo a que ninguém se sinta perdido no espaço. A área de lazer é significativamente superior à generalidade dos centros comerciais e as lojas também são mais espaçosas. 
 
Uma das principais novidades é o Kidzania, que ocupa uma área de seis mil metros quadrados e será uma das âncoras do Dolce Vita Tejo. Representa uma cidade em miniatura, onde os miúdos têm a oportunidade de viver como os adultos. Podem transaccionar dinheiro de fingir, exercer diferentes profissões. Lisboa não tem muitos parques de diversões e pareceu-nos haver espaço para este projecto completamente inovador. 
 
- A Chamartín detém a exploração do conceito para toda a Península Ibérica? Pretendem implementá-lo noutros centros? 
 
- O conceito é mexicano e já existe também em Osaka e em Jacarta. A Chamartín negociou os direitos de exploração na Península Ibérica. Nos restantes centros é difícil introduzir este conceito, já que requer uma grande área disponível. Queremos testar a marca e poderemos eventualmente desenvolver outras fórmulas a partir deste conceito. 
 
- O Dolce Vita Coruña inaugurado recentemente está a passar por dificuldades. Há lojas vazias?
 
 
- A crise em Espanha está a sentir-se de uma forma mais forte do que em Portugal. Espanha cresceu a um ritmo acelerado nos últimos anos. Espanha é mais flexível. Quando a economia cresce, cresce mais, mas o impacto da quebra também é mais violento. O Dolce Vita Corunha é o maior centro comercial da Galiza. Temos actualmente comercializada 84,2% da área bruta locável total do centro comercial sendo que, com base nas propostas que temos actualmente em carteira prevemos, até ao final deste ano, atingir os 93% de área comercializada. 
 
- Que outros projectos estão em curso, na área de centros comerciais para Portugal? O projecto Dolce Vita Braga está a avançar ao ritmo desejado? 
 
- Sim, o Dolce Vita Braga abrirá em 2010. Terá 52 mil metros quadrados a juntar às áreas de retail tradicionais o que perfaz 75 mil metros quadrados. Estão pensados vários projectos para os próximos anos e que estão em análise. Hoje é necessário ser mais crítico e exigir retornos e rentabilidade superiores. A análise é mais aprofundada. 
 
- Que localizações estão a ser consideradas? 
 
- Serão sempre localizados em grandes centros urbanos, mas para já é tudo o que podemos adiantar. 
 
- A actividade de retalho está a obter os resultados esperados pelo grupo quando decidiram comprar o negócio Dolce Vita à Amorim? 
 
- A Chamartín sabe que adquiriu uma excelente empresa com activos de qualidade. Desde 2006 a realidade é muito diferente, mas a qualidade dos nossos activos e dos projectos em curso dão-nos garantias e aos accionistas de que teremos sucesso. 
 
- De que forma é que estão a tentar alavancar os resultados dos espaços que estão com maus resultados?
 
 
- Nenhum negócio é estático e neste é importante considerar o que se está a passar nos mercados. Ê importante que se antecipem soluções e que se tenha a capacidade para criar novos modelos de negócio. Errado é achar que temos o melhor modelo de negócio. Há que ter sempre uma atitude crítica relativamente ao que estamos a fazer e ao modo como o fazemos. 
 
De uma forma geral, sentimos que aumentaram ligeiramente as dificuldades de cobrança, o que obrigou a um maior acompanhamento dos lojistas. 
 
- A Feira de Emprego promovida para o Dolce Vita Tejo inscreve-se nessa opção?
 
 
- Consideramos que da promoção do centro comercial faz parte criar melhores condições para atrair lojistas e facilitar-lhes a vida. Nesse sentido estabelecemos uma parceria com o Centro de Emprego da Amadora ao nível da formação. Temos vindo a formar mais de 1500 potenciais colaboradores. A Feira de Emprego surgiu também para proporcionar a oportunidade aos lojistas de recrutar. Em jogo estão cinco mil empregos directos e entre oito a dez mil indirectos. 
 
É necessário que os promotores e gestores olhem para o negócio e para o mercado de maneira diferente. As pessoas têm que estar mais bem preparadas. O nosso negócio está intimamente ligado ao sucesso dos lojistas, pelo que procuramos perceber muito bem o negócio de cada lojista e criar condições para que o negócio deles seja rentável, de modo a que nosso também seja. 
 
- A aposta no entretenimento é também uma das formas de conquistar os consumidores?
 
 
- Estamos a apostar mais na promoção local e no aprofundamento da ligação do centro comercial à região em que se insere. Cada Dolce Vita deve ser visto como algo que pertence à população, por isso temos políticas muito fortes a esse nível. Por exemplo o Dolce Vita Tejo ajudou a criar uma orquestra e um centro de acolhimento de idosos. Nos nossos centros é comum haver aulas de dança e de ginástica gratuitas, bem como vários programas de entretenimento. 
 
Os centros comerciais estão a evoluir no sentido de aprofundar essa ligação com a comunidade local. Pretende-se que as pessoas vão ao centro comercial e lá permaneçam para lá da necessidade de fazer compras. O conceito Dolce Vita incorpora um modelo de lazer muito intenso, baseado num envolvimento muito próximo com as comunidades, através de uma dinamização cultural, desportiva e lúdica constante e adequada à matriz identitária da envolvente. Concebemos o centro comercial como "motor social". 
 
- Quanto gastam por ano com entretenimento/ animação dos centros comerciais? 
 
- Alocamos cerca de 25% a 30% do orçamento de cada centro comercial a acções de entretenimento e animação com nossos convidados. 
 
- Quanto planeiam investir este ano nessa área?
 
 
- Em termos absolutos investiremos seguramente mais que no ano anterior, nomeadamente pelo investimento associado ao evento de abertura do Dolce Vita Tejo e da entrada em operação deste centro comercial. Em termos relativos, e uma vez que o nosso modelo de entretenimento e animação está testado e estabilizado, pensamos manter o actual perfil de investimento neste tipo de acções. 
 
- A eficiência energética também é uma das bandeiras hasteadas pela Chamartín. Em concreto quanto tem permitido poupar a política de eficiência energética nos centros comerciais da Chamartín?
 
 
O desempenho ambiental dos nossos centros comerciais assume, dentro da nossa estratégia global, um lugar de destaque, em linha com o nosso compromisso em torno da sustentabilidade e responsabilidade social e, porque não dizê-lo, pela convicção de que, no longo-prazo, este desempenho é decisivo na performance económica e financeira dos nossos activos. 
 
Ao nível do consumo energético - uma das variáveis que, neste âmbito, controlamos e gerimos em permanência - remos conseguido de forma consistente, ano após ano, criar valor. Reduzimos, uma vez mais em 2008, cerca de 7,9% o consumo de energia por metro quadrado dos centros que gerimos (numa base comparável) sendo que em termos de consumo por convidado alcançámos uma redução de 12,7% no mesmo período. 
 
Em termos de consumo de água, a redução em 2008 foi respectivamente de 13,1% (por metro quadrado) e de 19,4% (por convidado). No que concerne à gestão de resíduos os Dolce Vita valorizaram, em 2008, cerca de 32,2% dos resíduos produzidos. 
 
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