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28-12-2009
Torre Oriente e Dolce Vita Tejo eleitos melhores empreendimentos do ano

O Diário Económico contactou as principais consultoras do mercado e as respostas foram consensuais. Dimensão e qualidade pesou na escolha. 

É consensual. Para os consultores imobiliários contactados pelo Diário Económico há dois projectos que se destacam este ano: a Torre Oriente e o Dolce Vita Tejo. O primeiro, um edifício de escritórios junto ao centro comercial Colombo promovido por um consórcio de empresas que integra a Sonae Sierra e onde cada piso tem dois mil metros quadrados. E o segundo, nada mais que o maior centro comercial da Península Ibérica, um empreendimento promovido pela Chamartín Imobiliária com 122 metros quadrados e 297 lojas. 
 
Contudo, as razões que levam o mercado a escolher estes dois projectos diferem. "A Torre Oriente foi um projecto que se destacou, não só pela sua dimensão [29 mil metros quadrados], mas também pelo sucesso que teve. Em pouco tempo ficou totalmente arrendada e a inquilinos de peso, como o Barclays, que ocupa cerca de metade do edifício", disse ao Diário Económico, André Almada, porta-voz da CB Richard Ellis, acrescentando que a Torre Oriente representa 20% dos escritórios arrendados este ano, que totalizam os 130 mil metros quadrados. Além disso, a Torre Oriente é, actualmente, o único edifício de escritórios em Portugal com dois mil metros quadrados por piso, permitindo assim uma maior elasticidade às empresas, além de que está junto a um dos maiores centros comerciais de Lisboa e a acessos e transportes fáceis. 
 
Já o Dolce Vita Tejo mereceu destaque não só pela sua dimensão e qualidade, mas acima de tudo pela coragem do promotor em avançar com uma obra destas numa altura de crise económica. "Quem consegue abrir um projecto destes, praticamente todo arrendado, merece destaque", disse Luís Rocha Antunes, partner da Cushman &Wakefield. Além disso, sobressai porque "procurou trazer novas insígnias e um novo conceito de lazer/diversão - a Kidzania", reparou Pedro Rutkowski, director da Worx. Uma opinião partilhada por Paulo Silva, director da Aguirre Newman. "A Kidzania faz arrastar crianças de todo o País e isso dá maior dimensão social . ao centro", comentou. 
 
Estes dois projectos foram os mais referidos nos contactos feitos pelo Diário Económico, mas, apesar deste ter sido um ano mau para o sector, há outros projectos que se destacam nas várias áreas do imobiliário (ver caixas em baixo). Por exemplo, na habitação, João Andrade, responsável pela área de 'research da Aguirre Newman, destaca o Cais 24 - "pela sensação de não se estar num apartamento comum" -; e o Nova Amoreiras, por ter "bons apartamentos com áreas generosas". No caso da hotelaria e do turismo residencial, sobressaíram o hotel Altis Belém, em Lisboa; o Tívoli Victoria, no Algarve e ainda o Tróia Design Hotel. Contudo, é de referir ainda o projecto do Alqueva que deu mais um passo significativo no final do ano, ao acordar com o Governo um financiamento de 20 milhões de euros, e o anúncio de construção de um hotel Hilton, no 'resort' Bom Sucesso, em Óbidos. Nos centros comerciais, "importa ainda referir algumas ampliações e renovações de estruturas comerciais existentes como o Spacio (ex-Olivais Shopping)e Braga Parque e ainda o Guimarães Shopping", reparou Pedro Rutkowski da Worx, lembrado que as remodalações e os centros reginonais são "uma tendência actual do mercado". Por fim, nos escritórios, este mesmo responsável refere as Natura Towers, o Cais Office, o edifício Bloom e ainda a sede da Agência Europeia de Segurança Marítima.  
 
Os melhores projectos do ano, segundo análise das consultoras e do Diário Económico

Dolce Vita Tejo  
 
Inaugurado em Maio, este centro é o maior da Península Ibérica, contando com uma área de 122 m2 e 297 lojas. O investimento de 300 milhões, os cinco mil empregos criados e o facto de abrir quase todo arrendado faz dele um projecto de sucesso para o mercado.  
 
Espaço Guimarães  
 
Para os agentes do mercado contactados pelo Diário Económico, este projecto merece destaque porque representa uma nova geração de centros de proximidade. Inlcuiu um centro comercial com 40 mil m2 e um retail center com 6.800 m2.  
 
Cais Office  
 
Desenhada pela Broadway Malyan (tal como o Espaço Guimarães), o Cais Office fica na Expo, entre o Pavilhão do Conhecimento e o Oceanário. Com apenas três pisos para escritórios, conta com 4.400 m2 e já tem um dos pisos prestes a ser arrendado.  
 
Natura Towers  

 
As Natura Towers, da MSF, foram inauguradas há duas semanas numa altura em que a alterações climáticas estão na ordem do dia. E não podia ser mais apropriado. Os dois blocos de escritórios estão carregados de zonas verdes e têm uma redução do consumo de 60%.  
 
Agência Marítima  
 
Para efeitos de estatística imobiliária, este projecto de 15 mil m2 é ideal porque entra no mercado já ocupado. Além disso, dizem as consultoras, esta intervenção realizada no Cais Sodré revela importância porque vem dinamizar a frente ribeirinha de Lisboa.  
 
Tivolí Victoria  
 
O Diário Económico escolheu este projecto, primeiro, porque é um PIN de 60 milhões que saiu do papel e por surgir numa altura dificil para o turismo, sendo de louvar a coragem do promotor (grupo Espírito Santo). Mais, a arquitectura é portuguesa, do atelier Promontório.  
 
Tróia Design Hotel  
 
O Tróia Design Hotel insere-se no Tróia Resort, um dos mais importantes projectos turísticos do país. A sua abertura este ano deu um empurrão ao 'resort' e além disso é o único hotel de cinco estrelas nesta localização, reparou a Worx.  
 
Cais 24  

 
Dizem os consultores que em tempos de crise os novos projectos melhoram. O Cais 24, da Edifer, é bom um exemplo. Fruto da recuperação de uma antiga fábrica na 24 de Julho, conta agora com 24 apartamentos de luxo, prontos a habitar.  
 
Nova Amoreiras  
 
O Nova Amoreiras vai recuperar uma zona hoje abandonada em Lisboa. Terá um edifício de escritórios e seis de habitação de luxo, onde há apartamentos com piscinas privadas, e vista sobre o Tejo a partir do terceiro andar. A construção arrancou este ano.  
 
Condomínio Oriente  
 
O condomínio Oriente foi escolhido pelo Diário Económico pela dimensão do investimento - 200 milhões de euros - e por ser mais uma grande intervenção numa área abandonada. Situado em Loures, terá habitação, dois espaços comerciais e serviços, como um centro de saúde. 

Ana Baptista 
 
in Diário Económico / Imobiliário